quarta-feira, 6 de junho de 2012

Rafinha Bastos, um país encaretando e uma mídia hipócrita


Todo mundo, acho eu, deve ter ouvido falar das confusões causadas por Rafinha Bastos quando ainda era contratado da TV Bandeirantes - onde apresentava dois programas (CQC e A Liga) - por conta de uma piada dita "de mau gosto" pelas pessoas, onde ele disse que "comeria" Wanessa (outrora Camargo) e de quebra seu bebê (ainda no ventre) de tão linda que ela estava. Aí, então, uma novela se instaurou nos bastidores da emissora do Morumbi, com tramas envolvendo brigas judiciais, suspensão e fria geladeira como punição ao "infrator" e, após muito se discutir, o grand finale com o desligamento definitivo do humorista à emissora e uma determinação da justiça que previa que Bastos pagasse 10 salários mínimos a cada autor da ação indenizatória - são eles: Wanessa, Marcos Buaiz (marido dela) e o filho do casal (nascido em Janeiro).

Esse é só mais um dos casos que ilustram perfeitamente o quanto a sociedade brasileira encaretou nos últimos anos desse século debutante. Hoje, no Brasil, não se pode falar nada, brincar com nada, rir de nada ou sei lá o que mais. Não se pode, porque todo mundo se ofende, abre processos SEM SENTIDO ALGUM para se aproveitar da situação e faturar uns trocados, enquanto a jurisprudência deveria estar cuidado de casos graves de corrupção que ainda assola esse país mais do que a aids assola a África. O Brasil passa por uma grande crise existencial adolescente, diria eu. Mas o fato é que um país de democracia tão recente (se é que pode-se chamar esse regime do silêncio de democracia), não pode se dar ao luxo de colocar em risco a liberdade de expressão descrita como direito essencial na constituição nacional. Mas, ao que parece, aqui ninguém se preocupa com nada disso.

Essa execração do Rafinha Bastos chega a ser patética de tão imbecil. A mídia brasileira esbarrou, enquanto esse caso não se resolvia, no limite da hipocrisia. Quem assistia ao CQC durante a piada feita pelo humorista lembra dos risos da platéia e da ("boa") repercussão, num primeiro momento, nas redes sociais. Ou seja, todo mundo gargalhou e se divertiu da situação, mas na hora que a corda tinha que quebra pra um lado, o mais fraco saiu prejudicado outra vez. Lado mais fraco porque, afinal, o marido de Wanessa tem influencias fortes no mercado publicitário e o deslocamento de Rafinha para a geladeira da Band - além da exclusão de Marco Luque, até então companheiro de programa de Bastos, de um comercial da Claro, onde ele contracenava com Ronaldo (amigo de Buaiz) - se deve muito a isso. Mas não só a isso. Se deve também à falta de coragem da emissora manter Rafinha no ar, sem que ele fosse obrigado a pedir desculpas, porque tal ato abriria precedentes para mais "calabocas" do tipo.

Enfim... O discurso acima situa bem o leitor no ponto de discussão que esse espaço quer chegar. Rafinha Bastos já deu a volta por cima, e hoje apresenta o Saturday Night Live Brasil na RedeTV! e terá um programa em uma das emissoras do grupo Fox!, mas todo o caso que gerou seu desligamento da TV Bandeirantes é reflexo de um país cada dia mais encaretado, uma mídia hipócrita e uma emissora covarde entre tantas outras - em busca de faturamento, é claro, e ninguém coloca isso em questão, mas covarde.

p.s.: O caso é tão bizarro que quando a ação indenizatória foi movida e o filho do casal Wanessa e Buaiz entrou como autor do processo, ele ainda era um feto. Surreal, não?!

#FreeRafinha #FreeHumor #ForaCensura

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