O Brasil, além de tantas outras, tem como característica a luta por direitos iguais entre classes sociais, políticas, de gênero, condição sexual, entre outras que foram marcantes à nação. E a luta pela igualdade de gênero, apesar de intensa e difícil, rendeu frutos importantíssimos para a evolução do país e para a quebra dos regimes políticos não democráticos que um dia estiveram aqui instaurados.
O feminismo - que se origina no Brasil a partir do século XIX com a briga pelo direito do voto - latente às ideias de grandes ícones brasileiros foi um empurrão e tanto para que nossas mulheres adquirissem vida própria, direito de possuir diretos, deveres e liberdade de expressar seus pensamentos, seus sentimentos e de optar por, quem sabe, trabalhar fora de casa e ajudar o marido a sustentar a família. Nomes como o da socióloga Heleieth Saffioti, Celina Guimarães Viana (a primeira eleitora registrada), Luiza Alzira Soriano Teixeira (primeira mulher a ser eleita para um mandato político no Brasil), Nísia Floresta, Bertha Lutz e, posteriormente, de Rita Lee (autora de canções subversivas sempre) e da atriz Leila Diniz (que escandalizou o país com seu vanguardismo ao exibir sua gravidez de biquíni na praia e chocou todos ao proferir a frase "Transo de manhã, de tarde e de noite") são alguns dos tantos que podem ser citados como marcantes na luta desta classe.
É bem verdade que não se pode dizer que elas não conseguiram grandes coisas, afinal hoje as mulheres brasileiras são tão importantes para o país (em todos os aspectos) quanto os homens e conseguiram a tão sonhada emancipação, mas, em tempos dessa grande tendência do politicamente correto, os preconceitos ainda existentes no imaginário popular salta aos olhos e mostra o quanto o Brasil ainda precisa evoluir socialmente e quanta misoginia (e machismo) se tem escondida(o) - inconscientemente - em algum canto do crânio canarinho.
Há quem odeie reality show e ache que o formato televisivo não traga nada de novo e/ou de importante pro intelecto dos telespectadores - e estes não estão totalmente errados -, mas o principal programa desse formato aqui no Brasil, o Big Brother, tem colocado em discussão o falso moralismo dos brasileiros e tentado disseminá-lo de alguma forma. Com a presença de mulheres fortes, independentes e "porra-loucas" (Maria Melilo, Monique Amin, Renata e outras), o formato da Endemol mostra à nação o legado deixado por mulheres lutadoras como Leila Diniz (usada como referência, inclusive, para Pedro Bial no discurso de eliminação de Renata, durante o BBB 12). Mas parece que o público não parece entender... É falta de bom senso dizer que um país que condena uma mulher porque ela transou com 3 homens em 3 meses (sendo que é comum, hoje, as adolescentes transarem com DEZENAS em UMA NOITE) não seja domado por uma vergonhosa hipocrisia.
Em suma, o povo brasileiro continua - depois de tantos anos, lutas, conquistas, progressos e agora retrocessos - nutrindo burramente uma misoginia e um machismo INEXPLICÁVEIS. Uma pena!
p.s.: Misoginia, aos que não sabem, é o sentimento de ódio e/ou desprezo pelo sexo feminino e suas conquistas. Apesar de "parceira" do machismo, os dois não são a mesma coisa. O segundo é uma crença de inferiorização da mulher.
#LiberdadeÀsMulheres

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