quinta-feira, 14 de junho de 2012

A idiotização das crianças


A já tão debatida aqui tendência do politicamente correto anda afetando até os desenhos infantis ultimamente. Repletos de enredos bobos, insossos e insignificantes, as animações atuais deixam o pensamento infanto-juvenil pálido, causando a ausência de qualquer reflexão necessária a tal faixa etária.

Os produtores dos grandes estúdios que se dedicam a esse tipo de obra parecem confundir toscamente o conceito de inocência com outros como os de idiota, bobalhão e/ou incapacitados. Porque, com suas obras superficiais, eles subestimam a capacidade dos pequeninos de refletir sobre assuntos que devem ser debatidos com eles desde essa idade, como racismo, preconceitos contra condição sexual, Bullying, entre outros. Não se vê mais na programação televisiva, com exceção da TV Cultura de São Paulo, produtos educativos voltados a esse público com tanto potencial de audiência.

A bem da verdade é que cada dia que se passa é necessário se ter uma TV a cabo para poder se garantir que seus filhos possam ter pelo menos alguma chance de acompanhar algo qualificado na televisão. A recente chegada da novela Carrossel à grade de programação do SBT parece suprir um pouco dessa necessidade, como mostram pesquisas que indicam que a gigantesca aceitação do produto se deve à migração das crianças da TV fechada  e dos videos games e DVDs para a emissora de Silvio Santos no horário de exibição da trama de Ísis Abravanel, mas ainda é insuficiente para a carência de anos que se tem nesse ponto específico.

A culpa de toda essa palidez dos produtos juvenis é de muitos fatores. Entre eles figura, claro, a Classificação Indicativa do Ministério da Justiça; a má vontade de se produzir algo pra um público que tem poder de audiência mas não apresenta poder de compra e, portanto, afugenta os anunciantes; a falta real de capacidade dos profissionais da área de acerta o tom certo das discussões a serem propostas e de entenderem os verdadeiros conflitos do mundo particular das crianças; mas, principalmente, essa corrente de silêncio que impera nos últimos anos, onde tudo que é ousado pode ser tirado do ar a qualquer momento, ocasionando essa "pureza" dos desenhos animados.

Enfim... Todos os setores responsáveis aqui citados precisam, urgentemente, repensar suas atitudes e cada um fazer sua parte para que as crianças brasileiras tenham algo de qualidade dedicado a eles na nossa TV.

Pra ser mais claro, deixem de ser caretas, porque ninguém merece (!).

A censura musical está de volta?


Depois de muitas décadas de uma considerável liberdade de expressão - seja ela de que tipo for - do povo brasileiro, que veio em seguida de muita luta contra os regimes ditatoriais, o Brasil - como já explanado em vários textos aqui neste espaço - passa por uma séria tendência de opressão aos que não atendem às expectativas de quem tem o poder às mãos. As instâncias policiais aparentam um indisfarçável incomodo com alguns artistas nacionais e partem para atos injustificáveis, como os noticiados recentemente contra Rita Lee e Emicida.

Não bastando o humor, a televisão e suas vertentes todas, as atitudes femininas e a maioria das produções artísticas estarem sendo amordaçadas pelos grandes poderosos (que agem na ponta do pé), agora a já tão sofrida e oprimida (nas décadas de 60, 70 e 80) música (popular) brasileira começa a ser perseguida sem nenhuma desculpa plausível.

No caso da subversiva Rita Lee, ela reagiu com bom humor aos militares após ver membros do seu fã clube serem agredidos naquele que fora anunciado como o último show da sua carreia com uma frase mais ou menos como "Não quero mais vocês aqui. Você são legais, mas vão lá fumar o baseadinho de vocês". Ofendidos e sem entender a "piada", os policiais fizeram uma corrente em torno do palco pra prender a cantora, que, ainda mais irritada, os xingou com palavras como "Filhos da Puta (sic), cachorros, cavalos!".

Ninguém aqui está defendendo Rita por sua deselegância ao xingar as autoridades, mas prender a cantora por uma piadinha feita depois de atitude truculenta dos próprios militares mostra o momento estranho que vivemos desde o fim da última década.

Mas o pior ainda estava por chegar. Em um evidenciamento da total falta de critério dos setores da justiça brasileira, o rapper paulistano Emicida foi preso - "por desacato às autoridades" - em Belo Horizonte após executar a música "Dedo na Ferida" em seu show na capital mineira. O single foi lançado por Emicida em seu blog no início de março. Com uma batida pesada, que remete à era mais politizada do rap, o músico critica a polícia e aborda as polêmicas em torno do despejo de moradores de Pinheirinho e da cracolândia de São Paulo, entre outras.

Assista ao clipe da canção diretamente no YouTube clicando aqui

O rap é “dedicado às vítimas do [favela do] Moinho, Pinheirinho, Cracolândia, Rio dos Macacos, Alcântara e todas as quebradas devastadas pela ganância”, como o artista diz logo no início. Na letra, há frases fortes como "Auschwitz ou gueto? Índio ou preto?/ Mesmo jeito, extermínio""Dedo na ferida" foi produzida por Renan Samam, colaborador habitual do rapper, e o clipe foi dirigido por Nicolas Prado, parceiro de Emicida na produtora Laboratório Fantasma.

A assessoria de imprensa da Polícia Militar afirmou ao G1, portal de notícias da Rede Globo, que Emicida foi detido, após o término da apresentação, por ter incitado o público a fazer gestos obscenos contra policiais militares do 41º Batalhão, que faziam o policiamento no evento, e contra políticos. A PM, no entanto, não soube informar que se havia políticos presentes. Ainda de acordo com a corporação, Emicida foi, sim, levado algemado num carro de polícia até a 36ª Delegacia Seccional porque "o ato faz parte de qualquer processo de detenção".

O que impulsiona essas prisões? Medo da abertura da realidade? Ou o simples desejo pela volta da censura musical no Brasil? O fato é que a população é notoriamente contra essas atitudes brutas dos órgãos de segurança. Cerca de uma hora após a publicação de um post no perfil pessoal de Emicida informando a prisão do rapper, o hashtag #LiberdadeEmicida já ocupava o primeiro lugar nos trending topics (assuntos mais comentados) do Brasil no microblog. 

O falso moralismo do público brasileiro


A TV brasileira está cheia de personagens interessantes, dentro e fora do universo da programação. Os telespectadores e a própria justiça brasileira em determinados momentos tornam-se protagonistas deste ambiente, quase sempre de forma involuntária e pelos motivos equivocados. A classificação indicativa tão discutida - defendida por alguns e criticada por muitos - são um dos muitos elementos que transformam a TV num dos temas de grandes discussões por todo o país.

Em momentos controversos o que se percebe numa análise mais profunda é que a classificação indicativa imposta pelo Ministério das Comunicações é apenas um espelho do tradicionalismo exacerbado com que a população brasileira vive. Não é apenas em tecnologia e desenvolvimento que o Brasil está atrasado em relação a outros países, no conteúdo televisivo e na aceitação de temas também. Não à toa o beijo gay ainda é tabu por aqui.

Mais uma prova deste falso moralismo que assola o telespectador nacional ocorreu nesta semana. A polêmica novela Máscaras, maior fracasso da História recente da teledramaturgia brasileira, não apenas da Record, levou ao ar uma cena controversa e que mostrou o quanto o público brasileiro é tradicional e absolutamente exagerado na defesa do que ele considera moral, ética e bom gosto. Numa sequência com personagens secundários da trama em que eles viviam uma paixão tórrida e prestes a iniciar uma transa, a frase controversa é dita: "Você quer me ter?"

Essa frase que pode ser interpretada de duas formas, da dita acima ou "Você quer meter" chamou a atenção do público e a repercussão nas redes sociais foi mais alta do que qualquer outra sequência da novela conseguiu. Críticas ao autor da novela por conta deste texto choveram por todos os lados, muitos considerando uma apelação e exagero de cunho sexual na busca pela audiência. O que se percebeu foi a quase unanimidade em críticas pesadas ao episódio.

A cena em si não tem nada de tão importante, nem para a trama nem que possa suscitar tamanha discussão. O fato é que o texto busca inspiração em elementos nas grandes obras clássicas do cinema mundial. Texto controverso pode ser ouvido em cenas sexuais das grandes obras das películas. O Poderoso Chefão é cheio desse tipo de frase e ninguém considera apelação. Não é. É apenas um dos muitos elementos dúbios e que permitem diversas interpretações.

Um país que tem uma das teledramaturgias do mundo não pode se contentar com diálogos rasos, pobres e que nunca saem do óbvio. A dubiedade é um dos fortes elementos de se aprofundar um texto e, neste ponto, Lauro César Muniz acertou em cheio nesta cena específica e conseguiu enriquecer uma cena simples e que não caminharia para lugar algum. Pena que o público brasileiro ainda tenha o moralismo tão exagerado e que prejudica sua análise cultural.

Texto reproduzido do blog TV x TV, do jornalista Daniel César Melo. Clique aqui para ser direcionado à publicação original. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O (falso) moralismo destruindo a democracia: de Lacerda a Demóstenes

Carlos Lacerda foi o talvez o primeiro grande (falso) moralista da política brasileira. Em seus discursos ele sempre negava o debate de rumos do país e fazia apenas ataques morais a Getúlio Vargas.

Inimigo político de Getúlio, Lacerda foi o grande coordenador da oposição à campanha de Getúlio à presidência em 1950, e durante todo o mandato constitucional do presidente, até agosto de 1954. Uniu-se a militares golpistas e aos partidos oposicionistas (principalmente a UDN) num esforço conjunto para derrubar o presidente Vargas, através de acusações que publicava em seu jornal, Tribuna da Imprensa.

Tal postura de Lacerda juntamente com a imprensa da época levou Getúlio ao suicídio. É Claro que isso é um “resumão” do período.

Mas o que isso tem a ver com o senador Demóstenes Torres?

Tudo...

Não só Demóstenes, mas outros também que sempre se intitularam os baluartes da moral, ética e da decência. Não somente indivíduos, mas a grande imprensa brasileira também. Numa relação simbiótica, fazendo com que grande parte das pessoas caíssem ou caiam em seu conto do vigário.

Pois bem, Demóstenes assim como Lacerda e a Veja, a Globo e todos os seus asseclas são a prova de que o moralismo é a antessala da vigarice. Sempre foi assim e sempre será.

Todo mundo reclama que só tem político ladrão (como se político fosse somente parlamentar ou alguém do executivo), mas fura fila, sonega imposto, fura sinal vermelho, sempre tenta dá um jeitinho de resolver algum problema com algum amigo de órgão público ou na empresa privada origem do problema... E por aí vai...

A Veja e a Globo, por exemplo, sempre estiveram contra o povo. Apoiaram a ditadura militar, manipulam informações a torto e à direita... Quem não lembra ou nunca ouviu falar da torpe edição do debate Lula/Collor na eleição de 1989? Ou na recente e estratosférica história da bolinha de papel na campanha de 2010?

E agora no caso do bicheiro Cachoeira, que já foi empresário de jogos de azar nos tempo que o esquema Veja/Globo/Cachoeira/Demóstenes à época da proibição dos bingos montou um esquema de denuncismo barato na tentativa de derrubar o ex-presidente Lula, não existe melhor prova do que afirmo aqui.

Política não pode ser debate de polícia como faz a grande imprensa nacional. Política é debate de projetos, ideias, concepções e os maus feitos a justiça, o Ministério Público que deem conta. Este é o seu papel constitucional.

Negar a política é a principal tática dos (falsos) moralistas, dos golpistas... Como foi Lacerda, como é a Globo (rádio, TV, jornal), como é a “revista” Veja, o Estadão, a Folha de São Paulo, o DEM, o PSDB que paradoxalmente se locupletam desse debate... (digo paradoxalmente por se tratarem de partidos políticos).

O pior disso tudo é que sempre surgem os repetidores dessa postura. Em todos os espaços. Afinal, esse é o debate fácil. “Pega ladrão!”, “Fulano roubou”... Acabou-se a presunção de inocência do Estado brasileiro. Basta a grande imprensa apontar o dedo e pronto. Carimbo de ladrão na testa!

Este ano temos eleições municipais. Preste atenção em quem você vai votar. Se o candidato ou candidata tem concepções de mundo, de convívio em sociedade parecida com as suas, senão iguais. Preste atenção no que realmente o partido político do seu candidato defende.

Não troque seu voto por emprego ou por favores futuros. Isso também é vender voto. E é bem mais caro do que o cinquentinha que rola nos grotões das periferias.

Não seja um (falso) moralista. Não seja um lacerdista. Não seja uma caixa de ressonância da grande mídia golpista brasileira nem de seus braços políticos, DEM e PSDB.

A cachoeira das verdades pode cair em você também (me perdoem o trocadilho).

*Texto reproduzido do blog do jornalista Cadu Amaral, da Tribuna Hoje, publicado originalmente em 04/04/2012. Clique aqui se quiser ir à publicação original.

Veja a nova cartilha da Classificação Indicativa imposta pelo Ministério da Justiça

O debate em cima do absurdo que é a Classificação Indicativa imposta pelo Ministério da Justiça já foi feito a exaustão em um longo texto publicado nesse mesmo espaço. Mas pode não ter ficado claro os "critérios" - ou falta deles - que o MJ utiliza para definir o que pode ser exibido em cada horário da televisão brasileira. Portanto, se torna necessária a exposição da "nova cartilha" publicada em 19 de Março deste ano pelo órgão. Veja, então, o que os juízes do Ministério levam em conta para praticar essa censura velada:

Classificação Livre


Violência: Violência fantasiosa, presença de armas sem violência, mortes sem violência, ossadas e esqueletos sem resquício de violência.


Sexo: Nudez não-erótica.


Drogas: Consumo moderado ou insinuado de drogas lícitas. 


Classificação 10 Anos


Violência: Presença de armas com violência, medo/tensão, angústia, ossadas e esqueletos com resquícios de ato violento, atos criminosos sem violência, linguagem depreciativa.


Sexo: Conteúdo educativo sobre sexo.


Drogas: Descrição verbal do consumo de droga lícita, discussão sobre tráfico de drogas, uso medicinal de drogas ilícitas.


Classificação 12 Anos


Violência: Ato violento, lesão corporal, descrição de violência, presença de sangue, sofrimento da vítima, morte natural/acidental com violência, ato violento contra animais, exposição ao perigo, situações constrangedoras ou degradantes, agressão verbal, obscenidade, bullying, exposição de cadáver, assédio sexual, supervalorização da beleza física, supervalorização do consumo.


Sexo: Nudez velada, insinuação de sexo, carícias sexuais, masturbação, linguagem chula, linguagem de conteúdo sexual, simulação de sexo, apelo sexual.


Drogas: Consumo de drogas lícitas, indução ao uso de drogas lícitas, automedicação, menção a drogas ilícitas.


Classificação 14 Anos


Violência: Morte intencional, estigma/preconceito.


Sexo: Nudez frontal, erotização, vulgaridade, relação sexual, prostituição.


Drogas: Insinuação do consumo de drogas ilícitas, descrição verbal do consumo/tráfico de drogas ilícitas, discussão sobre descriminalização de drogas ilícitas.


Classificação 16 Anos


Violência: Estupro, exploração sexual, coação sexual, tortura, mutilação, suicídio, violência gratuita, aborto/pena de morte/eutanásia.


Sexo: Relação sexual intensa.


Drogas: Produção/tráfico de qualquer droga ilícita, consumo de drogas ilícitas, indução ao consumo de drogas ilícitas.


Classificação 18 Anos


Violência: Violência de forte impacto, elogio/glamourização/apologia a violência, crueldade, crime de ódio, pedofilia.


Sexo: Sexo explícito, situação sexual complexa/de forte impacto.


Drogas: Apologia ao uso de drogas ilícitas.

O Ministério da Justiça e a tentativa de se tornar o novo DIP

Muito se discute na mídia brasileira sobre a falta de qualidade da TV aberta no país e da falta de conteúdo aprofundado na telinha da população todos os dias - e nisso se inclui a recorrente superficialidade dos roteiros das novelas, principal produto da nossa televisão. Esse fato, inclusive, causou nos últimos 10 anos uma migração impressionante de telespectadores (principalmente das classes A e B) para a TV a cabo, onde se encontra com facilidade programas que acrescente algo ao público, apesar dos preços salgados. 

Mas não é culpa apenas das emissoras essa decadência de criatividade na "caixa mágica". Aliás, nem de longe, as concessionárias são as principais responsáveis por esse sério problema. O único órgão que pode mudar esse quadro atende pelo nome de Ministério da Justiça (MJ). Em uma tentativa desesperada de mostrar trabalho, os juízes do MJ cometem gafes atrás de gafes e parecem não dar fim ao repertório de barbaridades que possuem. Fica evidente pelas ações medonhas já tomadas nos últimos tempos que não existe mais no MJ qualquer gota que seja do senso de democracia que rege - ou deveria reger - esta nação. O que se vê é uma prática abusiva, uma espécie de ditadura judicial velada, onde tenta-se estabelecer classificações etárias sem nenhum sentido ou utilidade, reclassificando os produtos quando acham que devem, desrespeitando os direitos de livre expressão necessários para a amplitude e autenticidade da cultura. 

A imbecilidade do Ministério da Justiça se infla ao ponto de mudarem a faixa etária da novela A Vida da Gente, de Lícia Manzo e direção de Jayme Monjardim, por, segundo eles, "conter cenas exacerbadamente angustiantes". É impossível se criar situações de vilania e/ou grandes discussões sobre os relacionamentos sociais sem fazer com que essas sensações sejam imprimidas à tela, portanto, fica inviável se produzir qualquer produto televisivo de qualidade enquanto o MJ ainda se achar o dono da verdade. 

O fato é que se vivendo em uma democracia, cabe a cada espectador decidir o que a sua família deve assistir ou não. É para isso que existe o botão "off" nos aparelhos de TV e, também por esse motivo, que foi criado o controle remoto. 

Se de consolo isso serve, no dia 19 de Março do ano em curso, o Ministério da Justiça levou a público a sua nova "cartilha" da Classificação Indicativa (leia-se "censura disfarçada"), com regras mais frouxas, onde vários situações de potencial exposição na TV desceram um degrau na escala. Ainda assim, outras questões ainda seguem com uma mordaça exageradamente apertada à boca. A falta de justificativa para as escolhas segue sendo o que mais confunde as emissoras, a crítica especializada e o público. Tudo parece, a bem da verdade, mera opinião de quem analisa os casos. 

Mas uma pergunta não quer - e nem vai - calar... Não tem nada mais importante para os juízes do Ministério da Justiça irem fazer? A resposta, todos nós sabemos. Mas, pra que atender às necessidades de um país com várias carências, como o Brasil, se podemos brincar de ser Deus? 

p.s.1: O STF (Superior Tribunal Federal) irá julgar - quando nem Jesus Cristo sabe - se a Classificação Indicativa é, ou não, inconstitucional.

p.s.2: Um dúvida me paira. Será que vão reclassificar nosso Blog como impróprio para menores de 18 anos? Não nego que tenho medo e não duvido. 

#VoltaLiberdadeDeExpressão #ForaMinistérioDaJustiça

O efeito do politicamente correto no Brasil

Pesquisando sobre o tema que esse espaço anda procurando abordar, encontrei essa entrevista* do filósofo Luiz Felipe Pondé sobre o pensamento politicamente correto e suas implicações em diversos aspectos, de vários países, inclusive no Brasil.


*Créditos da entrevista: O vídeo foi retirado do site da Revista Veja, da editora Abril.

A misoginia e o machismo por trás do (falso) moralismo

O Brasil, além de tantas outras, tem como característica a luta por direitos iguais entre classes sociais, políticas, de gênero, condição sexual, entre outras que foram marcantes à nação. E a luta pela igualdade de gênero, apesar de intensa e difícil, rendeu frutos importantíssimos para a evolução do país e para a quebra dos regimes políticos não democráticos que um dia estiveram aqui instaurados.

O feminismo - que se origina no Brasil a partir do século XIX com a briga pelo direito do voto - latente às ideias de grandes ícones brasileiros foi um empurrão e tanto para que nossas mulheres adquirissem vida própria, direito de possuir diretos, deveres e liberdade de expressar seus pensamentos, seus sentimentos e de optar por, quem sabe, trabalhar fora de casa e ajudar o marido a sustentar a família. Nomes como o da socióloga Heleieth Saffioti, Celina Guimarães Viana (a primeira eleitora registrada), Luiza Alzira Soriano Teixeira (primeira mulher a ser eleita para um mandato político no Brasil), Nísia Floresta, Bertha Lutz e, posteriormente, de Rita Lee (autora de canções subversivas sempre) e da atriz Leila Diniz (que escandalizou o país com seu vanguardismo ao exibir sua gravidez de biquíni na praia e chocou todos ao proferir a frase "Transo de manhã, de tarde e de noite") são alguns dos tantos que podem ser citados como marcantes na luta desta classe.

É bem verdade que não se pode dizer que elas não conseguiram grandes coisas, afinal hoje as mulheres brasileiras são tão importantes para o país (em todos os aspectos) quanto os homens e conseguiram a tão sonhada emancipação, mas, em tempos dessa grande tendência do politicamente correto, os preconceitos ainda existentes no imaginário popular salta aos olhos e mostra o quanto o Brasil ainda precisa evoluir socialmente e quanta misoginia (e machismo) se tem escondida(o) - inconscientemente - em algum canto do crânio canarinho.

Há quem odeie reality show e ache que o formato televisivo não traga nada de novo e/ou de importante pro intelecto dos telespectadores - e estes não estão totalmente errados -, mas o principal programa desse formato aqui no Brasil, o Big Brother, tem colocado em discussão o falso moralismo dos brasileiros e tentado disseminá-lo de alguma forma. Com a presença de mulheres fortes, independentes e "porra-loucas" (Maria Melilo, Monique Amin, Renata e outras), o formato da Endemol mostra à nação o legado deixado por mulheres lutadoras como Leila Diniz (usada como referência, inclusive, para Pedro Bial no discurso de eliminação de Renata, durante o BBB 12). Mas parece que o público não parece entender... É falta de bom senso dizer que um país que condena uma mulher porque ela transou com 3 homens em 3 meses (sendo que é comum, hoje, as adolescentes transarem com DEZENAS em UMA NOITE) não seja domado por uma vergonhosa hipocrisia.

Em suma, o povo brasileiro continua - depois de tantos anos, lutas, conquistas, progressos e agora retrocessos - nutrindo burramente uma misoginia e um machismo INEXPLICÁVEIS. Uma pena!

p.s.: Misoginia, aos que não sabem, é o sentimento de ódio e/ou desprezo pelo sexo feminino e suas conquistas. Apesar de "parceira" do machismo, os dois não são a mesma coisa. O segundo é uma crença de inferiorização da mulher.

#LiberdadeÀsMulheres

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Rafinha Bastos, um país encaretando e uma mídia hipócrita


Todo mundo, acho eu, deve ter ouvido falar das confusões causadas por Rafinha Bastos quando ainda era contratado da TV Bandeirantes - onde apresentava dois programas (CQC e A Liga) - por conta de uma piada dita "de mau gosto" pelas pessoas, onde ele disse que "comeria" Wanessa (outrora Camargo) e de quebra seu bebê (ainda no ventre) de tão linda que ela estava. Aí, então, uma novela se instaurou nos bastidores da emissora do Morumbi, com tramas envolvendo brigas judiciais, suspensão e fria geladeira como punição ao "infrator" e, após muito se discutir, o grand finale com o desligamento definitivo do humorista à emissora e uma determinação da justiça que previa que Bastos pagasse 10 salários mínimos a cada autor da ação indenizatória - são eles: Wanessa, Marcos Buaiz (marido dela) e o filho do casal (nascido em Janeiro).

Esse é só mais um dos casos que ilustram perfeitamente o quanto a sociedade brasileira encaretou nos últimos anos desse século debutante. Hoje, no Brasil, não se pode falar nada, brincar com nada, rir de nada ou sei lá o que mais. Não se pode, porque todo mundo se ofende, abre processos SEM SENTIDO ALGUM para se aproveitar da situação e faturar uns trocados, enquanto a jurisprudência deveria estar cuidado de casos graves de corrupção que ainda assola esse país mais do que a aids assola a África. O Brasil passa por uma grande crise existencial adolescente, diria eu. Mas o fato é que um país de democracia tão recente (se é que pode-se chamar esse regime do silêncio de democracia), não pode se dar ao luxo de colocar em risco a liberdade de expressão descrita como direito essencial na constituição nacional. Mas, ao que parece, aqui ninguém se preocupa com nada disso.

Essa execração do Rafinha Bastos chega a ser patética de tão imbecil. A mídia brasileira esbarrou, enquanto esse caso não se resolvia, no limite da hipocrisia. Quem assistia ao CQC durante a piada feita pelo humorista lembra dos risos da platéia e da ("boa") repercussão, num primeiro momento, nas redes sociais. Ou seja, todo mundo gargalhou e se divertiu da situação, mas na hora que a corda tinha que quebra pra um lado, o mais fraco saiu prejudicado outra vez. Lado mais fraco porque, afinal, o marido de Wanessa tem influencias fortes no mercado publicitário e o deslocamento de Rafinha para a geladeira da Band - além da exclusão de Marco Luque, até então companheiro de programa de Bastos, de um comercial da Claro, onde ele contracenava com Ronaldo (amigo de Buaiz) - se deve muito a isso. Mas não só a isso. Se deve também à falta de coragem da emissora manter Rafinha no ar, sem que ele fosse obrigado a pedir desculpas, porque tal ato abriria precedentes para mais "calabocas" do tipo.

Enfim... O discurso acima situa bem o leitor no ponto de discussão que esse espaço quer chegar. Rafinha Bastos já deu a volta por cima, e hoje apresenta o Saturday Night Live Brasil na RedeTV! e terá um programa em uma das emissoras do grupo Fox!, mas todo o caso que gerou seu desligamento da TV Bandeirantes é reflexo de um país cada dia mais encaretado, uma mídia hipócrita e uma emissora covarde entre tantas outras - em busca de faturamento, é claro, e ninguém coloca isso em questão, mas covarde.

p.s.: O caso é tão bizarro que quando a ação indenizatória foi movida e o filho do casal Wanessa e Buaiz entrou como autor do processo, ele ainda era um feto. Surreal, não?!

#FreeRafinha #FreeHumor #ForaCensura

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sai pra lá, censura!


Vivemos em um país de democracia muito recente, onde as amarras da opinião pública ainda são muito apertadas e tudo que é dito pode tomar proporções terríveis, com consequências ainda mais repugnantes. O Brasil lutou durante décadas pelo voto direto, pelo direito das mulheres escolherem nossos governantes, pela liberdade de imprensa, pelo livre exercício do jornalismo e – principalmente/no geral – pelo direito de todos expelirem suas opiniões sem sofrerem “castigos”, torturas ou qualquer outro tipo de retaliação simplesmente porque não atendem às expectativas da burguesia dominante, do governo, de uma marca com grande poder ou outro bandido qualquer.

E conseguimos tudo isso, não foi mesmo? Pelo menos parcialmente e para inglês ver, sim. Mas será que na prática também? Será que ainda não existe censura no nosso país? Qual o verdadeiro objetivo da classificação indicativa do Ministério da Justiça, então? Por que, em pleno século XXI, a prisão de artistas – Rita Lee e Emicida foram vitimados - durante shows ainda é vista? Por que o ato da Band – não tenho objetivo em questionar os interesses publicitários da emissora – em segregar o humorista Rafinha Bastos do elenco do CQC por causa de uma piada (de mau gosto pra alguns, mas que soou muito engraçada para outros)? A pergunta é muito simples e fácil: Por quê? Poderia ficar laudas e mais laudas aqui, lembrando casos recentes de pessoas (e não só famosas) que foram hostilizadas – de várias formas diferentes – apenas porque desferiu sua inofensiva opinião, mas não é meu objetivo deixar esse texto enfadonho.

Aliás, não é objetivo deste espaço usar do seu precioso tempo para apenas discorrer os temas propostos de forma maçante. Muito pelo contrário. O objetivo do blog “Moralistas Sem Moral” – produzido, escrito e dirigido pelos estudantes de Jornalismo Ludmila Silveira, Diogo Marques, Lucas Correia e Yuri Silva – é mostrar a verdadeira face dos paladinos da moral de dos bons costumes, “desmascarar” a sociedade encaretada em que estamos vivendo há alguns anos e, sobretudo, provocar uma discussão (a maior e mais profunda que conseguirmos) sobre onde podemos chegar com essa “censura velada” presente hoje – ou não – no Brasil. Afinal, não quero presenciar a volta dos atos institucionais, ou muito menos ver estudantes torturados por expressarem abertamente suas ideologias.

Alguns podem achar que exagero ao me referir aos “marcos” da época ditatorial durante esse texto – e podem achar – mas estão totalmente equivocados.  Como eu disse no início, a falsa democracia brasileira é uma jovem debutante e corre riscos, caso não comecemos a prestar muita atenção no que vem sendo praticado em detrimento do livre arbítrio.

Então, como diria nosso excelentíssimo amigo Lucas Correia, declaro aberto os trabalhos!