Moralistas Sem Moral
quinta-feira, 14 de junho de 2012
A idiotização das crianças
A já tão debatida aqui tendência do politicamente correto anda afetando até os desenhos infantis ultimamente. Repletos de enredos bobos, insossos e insignificantes, as animações atuais deixam o pensamento infanto-juvenil pálido, causando a ausência de qualquer reflexão necessária a tal faixa etária.
Os produtores dos grandes estúdios que se dedicam a esse tipo de obra parecem confundir toscamente o conceito de inocência com outros como os de idiota, bobalhão e/ou incapacitados. Porque, com suas obras superficiais, eles subestimam a capacidade dos pequeninos de refletir sobre assuntos que devem ser debatidos com eles desde essa idade, como racismo, preconceitos contra condição sexual, Bullying, entre outros. Não se vê mais na programação televisiva, com exceção da TV Cultura de São Paulo, produtos educativos voltados a esse público com tanto potencial de audiência.
A bem da verdade é que cada dia que se passa é necessário se ter uma TV a cabo para poder se garantir que seus filhos possam ter pelo menos alguma chance de acompanhar algo qualificado na televisão. A recente chegada da novela Carrossel à grade de programação do SBT parece suprir um pouco dessa necessidade, como mostram pesquisas que indicam que a gigantesca aceitação do produto se deve à migração das crianças da TV fechada e dos videos games e DVDs para a emissora de Silvio Santos no horário de exibição da trama de Ísis Abravanel, mas ainda é insuficiente para a carência de anos que se tem nesse ponto específico.
A culpa de toda essa palidez dos produtos juvenis é de muitos fatores. Entre eles figura, claro, a Classificação Indicativa do Ministério da Justiça; a má vontade de se produzir algo pra um público que tem poder de audiência mas não apresenta poder de compra e, portanto, afugenta os anunciantes; a falta real de capacidade dos profissionais da área de acerta o tom certo das discussões a serem propostas e de entenderem os verdadeiros conflitos do mundo particular das crianças; mas, principalmente, essa corrente de silêncio que impera nos últimos anos, onde tudo que é ousado pode ser tirado do ar a qualquer momento, ocasionando essa "pureza" dos desenhos animados.
Enfim... Todos os setores responsáveis aqui citados precisam, urgentemente, repensar suas atitudes e cada um fazer sua parte para que as crianças brasileiras tenham algo de qualidade dedicado a eles na nossa TV.
Pra ser mais claro, deixem de ser caretas, porque ninguém merece (!).
A censura musical está de volta?
Depois de muitas décadas de uma considerável liberdade de expressão - seja ela de que tipo for - do povo brasileiro, que veio em seguida de muita luta contra os regimes ditatoriais, o Brasil - como já explanado em vários textos aqui neste espaço - passa por uma séria tendência de opressão aos que não atendem às expectativas de quem tem o poder às mãos. As instâncias policiais aparentam um indisfarçável incomodo com alguns artistas nacionais e partem para atos injustificáveis, como os noticiados recentemente contra Rita Lee e Emicida.
Não bastando o humor, a televisão e suas vertentes todas, as atitudes femininas e a maioria das produções artísticas estarem sendo amordaçadas pelos grandes poderosos (que agem na ponta do pé), agora a já tão sofrida e oprimida (nas décadas de 60, 70 e 80) música (popular) brasileira começa a ser perseguida sem nenhuma desculpa plausível.
No caso da subversiva Rita Lee, ela reagiu com bom humor aos militares após ver membros do seu fã clube serem agredidos naquele que fora anunciado como o último show da sua carreia com uma frase mais ou menos como "Não quero mais vocês aqui. Você são legais, mas vão lá fumar o baseadinho de vocês". Ofendidos e sem entender a "piada", os policiais fizeram uma corrente em torno do palco pra prender a cantora, que, ainda mais irritada, os xingou com palavras como "Filhos da Puta (sic), cachorros, cavalos!".
Ninguém aqui está defendendo Rita por sua deselegância ao xingar as autoridades, mas prender a cantora por uma piadinha feita depois de atitude truculenta dos próprios militares mostra o momento estranho que vivemos desde o fim da última década.
Mas o pior ainda estava por chegar. Em um evidenciamento da total falta de critério dos setores da justiça brasileira, o rapper paulistano Emicida foi preso - "por desacato às autoridades" - em Belo Horizonte após executar a música "Dedo na Ferida" em seu show na capital mineira. O single foi lançado por Emicida em seu blog no início de março. Com uma batida pesada, que remete à era mais politizada do rap, o músico critica a polícia e aborda as polêmicas em torno do despejo de moradores de Pinheirinho e da cracolândia de São Paulo, entre outras.
Assista ao clipe da canção diretamente no YouTube clicando aqui
O rap é “dedicado às vítimas do [favela do] Moinho, Pinheirinho, Cracolândia, Rio dos Macacos, Alcântara e todas as quebradas devastadas pela ganância”, como o artista diz logo no início. Na letra, há frases fortes como "Auschwitz ou gueto? Índio ou preto?/ Mesmo jeito, extermínio". "Dedo na ferida" foi produzida por Renan Samam, colaborador habitual do rapper, e o clipe foi dirigido por Nicolas Prado, parceiro de Emicida na produtora Laboratório Fantasma.
A assessoria de imprensa da Polícia Militar afirmou ao G1, portal de notícias da Rede Globo, que Emicida foi detido, após o término da apresentação, por ter incitado o público a fazer gestos obscenos contra policiais militares do 41º Batalhão, que faziam o policiamento no evento, e contra políticos. A PM, no entanto, não soube informar que se havia políticos presentes. Ainda de acordo com a corporação, Emicida foi, sim, levado algemado num carro de polícia até a 36ª Delegacia Seccional porque "o ato faz parte de qualquer processo de detenção".
O que impulsiona essas prisões? Medo da abertura da realidade? Ou o simples desejo pela volta da censura musical no Brasil? O fato é que a população é notoriamente contra essas atitudes brutas dos órgãos de segurança. Cerca de uma hora após a publicação de um post no perfil pessoal de Emicida informando a prisão do rapper, o hashtag #LiberdadeEmicida já ocupava o primeiro lugar nos trending topics (assuntos mais comentados) do Brasil no microblog.
O falso moralismo do público brasileiro
Em momentos controversos o que se percebe numa análise mais profunda é que a classificação indicativa imposta pelo Ministério das Comunicações é apenas um espelho do tradicionalismo exacerbado com que a população brasileira vive. Não é apenas em tecnologia e desenvolvimento que o Brasil está atrasado em relação a outros países, no conteúdo televisivo e na aceitação de temas também. Não à toa o beijo gay ainda é tabu por aqui.
Mais uma prova deste falso moralismo que assola o telespectador nacional ocorreu nesta semana. A polêmica novela Máscaras, maior fracasso da História recente da teledramaturgia brasileira, não apenas da Record, levou ao ar uma cena controversa e que mostrou o quanto o público brasileiro é tradicional e absolutamente exagerado na defesa do que ele considera moral, ética e bom gosto. Numa sequência com personagens secundários da trama em que eles viviam uma paixão tórrida e prestes a iniciar uma transa, a frase controversa é dita: "Você quer me ter?"
Essa frase que pode ser interpretada de duas formas, da dita acima ou "Você quer meter" chamou a atenção do público e a repercussão nas redes sociais foi mais alta do que qualquer outra sequência da novela conseguiu. Críticas ao autor da novela por conta deste texto choveram por todos os lados, muitos considerando uma apelação e exagero de cunho sexual na busca pela audiência. O que se percebeu foi a quase unanimidade em críticas pesadas ao episódio.
A cena em si não tem nada de tão importante, nem para a trama nem que possa suscitar tamanha discussão. O fato é que o texto busca inspiração em elementos nas grandes obras clássicas do cinema mundial. Texto controverso pode ser ouvido em cenas sexuais das grandes obras das películas. O Poderoso Chefão é cheio desse tipo de frase e ninguém considera apelação. Não é. É apenas um dos muitos elementos dúbios e que permitem diversas interpretações.
Um país que tem uma das teledramaturgias do mundo não pode se contentar com diálogos rasos, pobres e que nunca saem do óbvio. A dubiedade é um dos fortes elementos de se aprofundar um texto e, neste ponto, Lauro César Muniz acertou em cheio nesta cena específica e conseguiu enriquecer uma cena simples e que não caminharia para lugar algum. Pena que o público brasileiro ainda tenha o moralismo tão exagerado e que prejudica sua análise cultural.
Texto reproduzido do blog TV x TV, do jornalista Daniel César Melo. Clique aqui para ser direcionado à publicação original.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
O (falso) moralismo destruindo a democracia: de Lacerda a Demóstenes
Carlos Lacerda foi o talvez o primeiro grande (falso) moralista da política brasileira. Em seus discursos ele sempre negava o debate de rumos do país e fazia apenas ataques morais a Getúlio Vargas.
Inimigo político de Getúlio, Lacerda foi o grande coordenador da oposição à campanha de Getúlio à presidência em 1950, e durante todo o mandato constitucional do presidente, até agosto de 1954. Uniu-se a militares golpistas e aos partidos oposicionistas (principalmente a UDN) num esforço conjunto para derrubar o presidente Vargas, através de acusações que publicava em seu jornal, Tribuna da Imprensa.
Tal postura de Lacerda juntamente com a imprensa da época levou Getúlio ao suicídio. É Claro que isso é um “resumão” do período.
Mas o que isso tem a ver com o senador Demóstenes Torres?
Tudo...
Não só Demóstenes, mas outros também que sempre se intitularam os baluartes da moral, ética e da decência. Não somente indivíduos, mas a grande imprensa brasileira também. Numa relação simbiótica, fazendo com que grande parte das pessoas caíssem ou caiam em seu conto do vigário.
Pois bem, Demóstenes assim como Lacerda e a Veja, a Globo e todos os seus asseclas são a prova de que o moralismo é a antessala da vigarice. Sempre foi assim e sempre será.
Todo mundo reclama que só tem político ladrão (como se político fosse somente parlamentar ou alguém do executivo), mas fura fila, sonega imposto, fura sinal vermelho, sempre tenta dá um jeitinho de resolver algum problema com algum amigo de órgão público ou na empresa privada origem do problema... E por aí vai...
A Veja e a Globo, por exemplo, sempre estiveram contra o povo. Apoiaram a ditadura militar, manipulam informações a torto e à direita... Quem não lembra ou nunca ouviu falar da torpe edição do debate Lula/Collor na eleição de 1989? Ou na recente e estratosférica história da bolinha de papel na campanha de 2010?
E agora no caso do bicheiro Cachoeira, que já foi empresário de jogos de azar nos tempo que o esquema Veja/Globo/Cachoeira/Demóstenes à época da proibição dos bingos montou um esquema de denuncismo barato na tentativa de derrubar o ex-presidente Lula, não existe melhor prova do que afirmo aqui.
Política não pode ser debate de polícia como faz a grande imprensa nacional. Política é debate de projetos, ideias, concepções e os maus feitos a justiça, o Ministério Público que deem conta. Este é o seu papel constitucional.
Negar a política é a principal tática dos (falsos) moralistas, dos golpistas... Como foi Lacerda, como é a Globo (rádio, TV, jornal), como é a “revista” Veja, o Estadão, a Folha de São Paulo, o DEM, o PSDB que paradoxalmente se locupletam desse debate... (digo paradoxalmente por se tratarem de partidos políticos).
O pior disso tudo é que sempre surgem os repetidores dessa postura. Em todos os espaços. Afinal, esse é o debate fácil. “Pega ladrão!”, “Fulano roubou”... Acabou-se a presunção de inocência do Estado brasileiro. Basta a grande imprensa apontar o dedo e pronto. Carimbo de ladrão na testa!
Este ano temos eleições municipais. Preste atenção em quem você vai votar. Se o candidato ou candidata tem concepções de mundo, de convívio em sociedade parecida com as suas, senão iguais. Preste atenção no que realmente o partido político do seu candidato defende.
Não troque seu voto por emprego ou por favores futuros. Isso também é vender voto. E é bem mais caro do que o cinquentinha que rola nos grotões das periferias.
Não seja um (falso) moralista. Não seja um lacerdista. Não seja uma caixa de ressonância da grande mídia golpista brasileira nem de seus braços políticos, DEM e PSDB.
A cachoeira das verdades pode cair em você também (me perdoem o trocadilho).
*Texto reproduzido do blog do jornalista Cadu Amaral, da Tribuna Hoje, publicado originalmente em 04/04/2012. Clique aqui se quiser ir à publicação original.
Veja a nova cartilha da Classificação Indicativa imposta pelo Ministério da Justiça
Classificação Livre
Violência: Violência fantasiosa, presença de armas sem violência, mortes sem violência, ossadas e esqueletos sem resquício de violência.
Sexo: Nudez não-erótica.
Drogas: Consumo moderado ou insinuado de drogas lícitas.
Classificação 10 Anos
Violência: Presença de armas com violência, medo/tensão, angústia, ossadas e esqueletos com resquícios de ato violento, atos criminosos sem violência, linguagem depreciativa.
Sexo: Conteúdo educativo sobre sexo.
Drogas: Descrição verbal do consumo de droga lícita, discussão sobre tráfico de drogas, uso medicinal de drogas ilícitas.
Classificação 12 Anos
Violência: Ato violento, lesão corporal, descrição de violência, presença de sangue, sofrimento da vítima, morte natural/acidental com violência, ato violento contra animais, exposição ao perigo, situações constrangedoras ou degradantes, agressão verbal, obscenidade, bullying, exposição de cadáver, assédio sexual, supervalorização da beleza física, supervalorização do consumo.
Sexo: Nudez velada, insinuação de sexo, carícias sexuais, masturbação, linguagem chula, linguagem de conteúdo sexual, simulação de sexo, apelo sexual.
Drogas: Consumo de drogas lícitas, indução ao uso de drogas lícitas, automedicação, menção a drogas ilícitas.
Classificação 14 Anos
Violência: Morte intencional, estigma/preconceito.
Sexo: Nudez frontal, erotização, vulgaridade, relação sexual, prostituição.
Drogas: Insinuação do consumo de drogas ilícitas, descrição verbal do consumo/tráfico de drogas ilícitas, discussão sobre descriminalização de drogas ilícitas.
Classificação 16 Anos
Violência: Estupro, exploração sexual, coação sexual, tortura, mutilação, suicídio, violência gratuita, aborto/pena de morte/eutanásia.
Sexo: Relação sexual intensa.
Drogas: Produção/tráfico de qualquer droga ilícita, consumo de drogas ilícitas, indução ao consumo de drogas ilícitas.
Classificação 18 Anos
Violência: Violência de forte impacto, elogio/glamourização/apologia a violência, crueldade, crime de ódio, pedofilia.
Sexo: Sexo explícito, situação sexual complexa/de forte impacto.
Drogas: Apologia ao uso de drogas ilícitas.
O Ministério da Justiça e a tentativa de se tornar o novo DIP
Muito se discute na mídia brasileira sobre a falta de qualidade da TV aberta no país e da falta de conteúdo aprofundado na telinha da população todos os dias - e nisso se inclui a recorrente superficialidade dos roteiros das novelas, principal produto da nossa televisão. Esse fato, inclusive, causou nos últimos 10 anos uma migração impressionante de telespectadores (principalmente das classes A e B) para a TV a cabo, onde se encontra com facilidade programas que acrescente algo ao público, apesar dos preços salgados.
Mas não é culpa apenas das emissoras essa decadência de criatividade na "caixa mágica". Aliás, nem de longe, as concessionárias são as principais responsáveis por esse sério problema. O único órgão que pode mudar esse quadro atende pelo nome de Ministério da Justiça (MJ). Em uma tentativa desesperada de mostrar trabalho, os juízes do MJ cometem gafes atrás de gafes e parecem não dar fim ao repertório de barbaridades que possuem. Fica evidente pelas ações medonhas já tomadas nos últimos tempos que não existe mais no MJ qualquer gota que seja do senso de democracia que rege - ou deveria reger - esta nação. O que se vê é uma prática abusiva, uma espécie de ditadura judicial velada, onde tenta-se estabelecer classificações etárias sem nenhum sentido ou utilidade, reclassificando os produtos quando acham que devem, desrespeitando os direitos de livre expressão necessários para a amplitude e autenticidade da cultura.
A imbecilidade do Ministério da Justiça se infla ao ponto de mudarem a faixa etária da novela A Vida da Gente, de Lícia Manzo e direção de Jayme Monjardim, por, segundo eles, "conter cenas exacerbadamente angustiantes". É impossível se criar situações de vilania e/ou grandes discussões sobre os relacionamentos sociais sem fazer com que essas sensações sejam imprimidas à tela, portanto, fica inviável se produzir qualquer produto televisivo de qualidade enquanto o MJ ainda se achar o dono da verdade.
O fato é que se vivendo em uma democracia, cabe a cada espectador decidir o que a sua família deve assistir ou não. É para isso que existe o botão "off" nos aparelhos de TV e, também por esse motivo, que foi criado o controle remoto.
Se de consolo isso serve, no dia 19 de Março do ano em curso, o Ministério da Justiça levou a público a sua nova "cartilha" da Classificação Indicativa (leia-se "censura disfarçada"), com regras mais frouxas, onde vários situações de potencial exposição na TV desceram um degrau na escala. Ainda assim, outras questões ainda seguem com uma mordaça exageradamente apertada à boca. A falta de justificativa para as escolhas segue sendo o que mais confunde as emissoras, a crítica especializada e o público. Tudo parece, a bem da verdade, mera opinião de quem analisa os casos.
Mas uma pergunta não quer - e nem vai - calar... Não tem nada mais importante para os juízes do Ministério da Justiça irem fazer? A resposta, todos nós sabemos. Mas, pra que atender às necessidades de um país com várias carências, como o Brasil, se podemos brincar de ser Deus?
p.s.1: O STF (Superior Tribunal Federal) irá julgar - quando nem Jesus Cristo sabe - se a Classificação Indicativa é, ou não, inconstitucional.
p.s.2: Um dúvida me paira. Será que vão reclassificar nosso Blog como impróprio para menores de 18 anos? Não nego que tenho medo e não duvido.
#VoltaLiberdadeDeExpressão #ForaMinistérioDaJustiça
O efeito do politicamente correto no Brasil
Pesquisando sobre o tema que esse espaço anda procurando abordar, encontrei essa entrevista* do filósofo Luiz Felipe Pondé sobre o pensamento politicamente correto e suas implicações em diversos aspectos, de vários países, inclusive no Brasil.
*Créditos da entrevista: O vídeo foi retirado do site da Revista Veja, da editora Abril.
*Créditos da entrevista: O vídeo foi retirado do site da Revista Veja, da editora Abril.
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