quinta-feira, 7 de junho de 2012

O Ministério da Justiça e a tentativa de se tornar o novo DIP

Muito se discute na mídia brasileira sobre a falta de qualidade da TV aberta no país e da falta de conteúdo aprofundado na telinha da população todos os dias - e nisso se inclui a recorrente superficialidade dos roteiros das novelas, principal produto da nossa televisão. Esse fato, inclusive, causou nos últimos 10 anos uma migração impressionante de telespectadores (principalmente das classes A e B) para a TV a cabo, onde se encontra com facilidade programas que acrescente algo ao público, apesar dos preços salgados. 

Mas não é culpa apenas das emissoras essa decadência de criatividade na "caixa mágica". Aliás, nem de longe, as concessionárias são as principais responsáveis por esse sério problema. O único órgão que pode mudar esse quadro atende pelo nome de Ministério da Justiça (MJ). Em uma tentativa desesperada de mostrar trabalho, os juízes do MJ cometem gafes atrás de gafes e parecem não dar fim ao repertório de barbaridades que possuem. Fica evidente pelas ações medonhas já tomadas nos últimos tempos que não existe mais no MJ qualquer gota que seja do senso de democracia que rege - ou deveria reger - esta nação. O que se vê é uma prática abusiva, uma espécie de ditadura judicial velada, onde tenta-se estabelecer classificações etárias sem nenhum sentido ou utilidade, reclassificando os produtos quando acham que devem, desrespeitando os direitos de livre expressão necessários para a amplitude e autenticidade da cultura. 

A imbecilidade do Ministério da Justiça se infla ao ponto de mudarem a faixa etária da novela A Vida da Gente, de Lícia Manzo e direção de Jayme Monjardim, por, segundo eles, "conter cenas exacerbadamente angustiantes". É impossível se criar situações de vilania e/ou grandes discussões sobre os relacionamentos sociais sem fazer com que essas sensações sejam imprimidas à tela, portanto, fica inviável se produzir qualquer produto televisivo de qualidade enquanto o MJ ainda se achar o dono da verdade. 

O fato é que se vivendo em uma democracia, cabe a cada espectador decidir o que a sua família deve assistir ou não. É para isso que existe o botão "off" nos aparelhos de TV e, também por esse motivo, que foi criado o controle remoto. 

Se de consolo isso serve, no dia 19 de Março do ano em curso, o Ministério da Justiça levou a público a sua nova "cartilha" da Classificação Indicativa (leia-se "censura disfarçada"), com regras mais frouxas, onde vários situações de potencial exposição na TV desceram um degrau na escala. Ainda assim, outras questões ainda seguem com uma mordaça exageradamente apertada à boca. A falta de justificativa para as escolhas segue sendo o que mais confunde as emissoras, a crítica especializada e o público. Tudo parece, a bem da verdade, mera opinião de quem analisa os casos. 

Mas uma pergunta não quer - e nem vai - calar... Não tem nada mais importante para os juízes do Ministério da Justiça irem fazer? A resposta, todos nós sabemos. Mas, pra que atender às necessidades de um país com várias carências, como o Brasil, se podemos brincar de ser Deus? 

p.s.1: O STF (Superior Tribunal Federal) irá julgar - quando nem Jesus Cristo sabe - se a Classificação Indicativa é, ou não, inconstitucional.

p.s.2: Um dúvida me paira. Será que vão reclassificar nosso Blog como impróprio para menores de 18 anos? Não nego que tenho medo e não duvido. 

#VoltaLiberdadeDeExpressão #ForaMinistérioDaJustiça

9 comentários:

  1. Eu queria, apenas, saber o que se passa na cabeça na pessoa que escreve esses textos. Honestamente, são totalmente infundados, sem propósitos, discordando por discordar, sem base teórica ALGUMA e usando palavras difíceis para ver se há algum enriquecimento da pobre obra que é, ali, escrita. Me fala qual faculdade você estudou pra eu passar longe dela.

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    1. Não quero ofender(algo que ao meu ver, você fez aqui), mas, se é pra criticar um trabalho, da maneira como você fez, listando que é sem propósito, infundado, etc não seria bom dar argumentos? Da maneira como você escreveu, simplesmente me pareceu uma birra, ou alguem que chama o outro de idiota, e quando lhe pedem justificativa, simplesmente responde "porque sim" :P
      PS: Ri do fato de que ao clicar no seu nome, invés de ir a algum profile(facebook, wordpress, dentre outros), sou simplesmente levado ao facebook. Somente facebook XD

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    2. Parei de ler em "totalmente infundados". DESCULPA SOCIEDADE, mas não sou obrigado. Mentira. Deixando as brincadeiras de lado e rebatendo seu comentário, o texto é, sim, repleto de fundamentos, tem um propósito acadêmico apenas, não tem nada de discordância a revelia nele, muito menos possibilidade de haver base teórica, visto o quanto o tema é abstrato; e acho que você deveria rever seus conceitos para palavras difíceis, porque nada que expresso aí apresenta dificuldade de entendimento. Quanto

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  2. Bem, vamos lá.

    "Esse fato, inclusive, causou nos últimos 10 anos uma migração impressionante de telespectadores (principalmente das classes A e B) para a TV a cabo, onde se encontra com facilidade programas que acrescente algo ao público, apesar dos preços salgados." - Isso é uma inverdade, visto que o público da TV a cabo aumentou exatamente porque os preços dos planos diminuíram e ficou mais acessível. E isso é fato, não há contra-argumentos.

    "Em uma tentativa desesperada de mostrar trabalho, os juízes do MJ cometem gafes atrás de gafes e parecem não dar fim ao repertório de barbaridades que possuem." - Esta afirmação soa ignorante e cheia de ignorância. Pra quem conhece o trabalho do MJ de perto, principalmente. Essa imagem que é passa do instituto é totalmente fora de propósito e desfocada. De fato, o MJ tem que mostrar serviço (mas quem não? Até você, cara amigo, que ontem postou, de uma só vez, vários textos neste espaço), mas, nem por isso, todas as atitudes são infundadas. Acha absurdo? Isso é um problema pessoal seu, não se pode levar um país e dirigir um veículo como a televisão pautando-se, apenas, em opiniões pessoais, quase bibliográficas.

    "A imbecilidade do Ministério da Justiça se infla ao ponto de mudarem a faixa etária da novela A Vida da Gente, de Lícia Manzo e direção de Jayme Monjardim, por, segundo eles, "conter cenas exacerbadamente angustiantes". É impossível se criar situações de vilania e/ou grandes discussões sobre os relacionamentos sociais sem fazer com que essas sensações sejam imprimidas à tela, portanto, fica inviável se produzir qualquer produto televisivo de qualidade enquanto o MJ ainda se achar o dono da verdade." - Se isso era pra ter algum sentido, obviamente este não foi atingido. Cenas exacerbadamente angustiantes não se referem apenas às vilanias que são passadas. Pelo contrário, sabe-se, sim, que a novela foi uma das mais pesadas psicologicamente falando. Pode-se questionar a justificativa? Pode, talvez. Mas a reclassificação? Não, pois a novela era mesmo inadequada para os menores de 10 anos e isso qualquer pessoa sentia.

    "O fato é que se vivendo em uma democracia, cabe a cada espectador decidir o que a sua família deve assistir ou não. É para isso que existe o botão "off" nos aparelhos de TV e, também por esse motivo, que foi criado o controle remoto." - Análise superficial. Em todos os lugares da Terra existe isso e não é só uma questão de desligar a TV. Essa análise é tão bizonha que, oras, a classificação não muda nada quanto a isso. A classificação serve pra se controlar o horário de certas produção, não para tirar alguém da frente da TV, isso continua dependendo dos pais. Mas, oras, é fácil entender como isso se opera. Os pais trabalham o dia inteiro, como controlarão o que os filhos assistem à tarde, por exemplo? A Classificação por idade se pauta no bom senso. Existem casos e casos e, simplesmente, dizer que "é só desligar a TV" chega a arrepiar. Não quero viver num mundo em que as pessoas pensem dessa forma.

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  3. Parte 2

    "a sua nova "cartilha" da Classificação Indicativa (leia-se "censura disfarçada")" - Você não chegou nem perto de viver em uma sociedade censurada...

    "Não tem nada mais importante para os juízes do Ministério da Justiça irem fazer? A resposta, todos nós sabemos. Mas, pra que atender às necessidades de um país com várias carências, como o Brasil, se podemos brincar de ser Deus?" - Você também não tem nada melhor pra fazer? Poderia estar trabalhando, ganhando dinheiro... Que argumento, hein, Yuri Silva? Esperava mais. Cada um tem sua função. Da mesma forma que não cabe você ajudar às criancinhas da África, cabe ao departamento da classificação indicativa cuidar da mesma.

    "#VoltaLiberdadeDeExpressão #ForaMinistérioDaJustiça #VaiLavarUmaBaciaDeRoupaMJ" - A Liberdade de Expressão não existe mais? Então o que você fez no texto acima é o quê? Quer viver sem o MJ? Qual a sua proposição pra se colocar no lugar? E quanto à última hashtag... melhor nem comentar.

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    1. Eu não discordo de você em alguns pontos.
      Concordo, entre outras coisas, que os preços da TV a cabo caiu nos últimos anos. Mas continuam salgados para o grande público (classe D e E) que detém o poder de audiência no nosso país. A classe C teve o ganho financeiro aumentado mais do que os preços da TV a cabo reduzidos.
      Mas defender a classificação indicativa continua sendo, pra mim, um absurdo sem tamanho. É, SIM, CENSURA VELADA. Classificar A Vida da Gente por ser angustiante é LOUCURA, porque a novela apenas emergia como nunca na psicologia humana, não angustiava ninguém com bom senso. Reclassificar Tempos Modernos, então, depois que a trama já tinha chegado ao fim, é ainda mais falta de coisa melhor pra fazer. Também acho total ignorância dizer que o MJ tem bom senso ao usar os critérios que usa para fazer a CI. Exposição da beleza física é motivo para o produto ser proibido para menores de 14 anos? Convenhamos, não?!!

      Uma resposta rápida: NÃO, NÃO TENHO NADA MELHOR PRA FAZER ALÉM DE ESTAR FAZENDO TEXTOS EXCELENTES PARA ATIVIDADES ACADÊMICAS.

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    2. "Mas defender a classificação indicativa continua sendo, pra mim, um absurdo sem tamanho. É, SIM, CENSURA VELADA." É necessário haver discernimento eficaz. O que você apóia? Que tudo seja livre e um filme pornô, com sexo explícito, seja exibido pela manhã? Você gostaria que os seus filhos vissem algo assim? Pode parecer bobagem, mas, se não há bom senso das emissoras, deve haver alguma ordem de cima.

      "Também acho total ignorância dizer que o MJ tem bom senso ao usar os critérios que usa para fazer a CI. Exposição da beleza física é motivo para o produto ser proibido para menores de 14 anos? Convenhamos, não?!!" - Você pelo visto nem faz ideia do que isso significa... Tenho pena.

      "NÃO, NÃO TENHO NADA MELHOR PRA FAZER ALÉM DE ESTAR FAZENDO TEXTOS EXCELENTES PARA ATIVIDADES ACADÊMICAS." - Você começa muito mal a profissão. Não estou querendo passar um ar de superioridade, longe de mim, aliás. Mas, quando você acha que os seus textos são excelentes (além de ser mentira, pois não são, afinal, poucas são as pessoas que escrevem textos EXCELENTES na atualidade), você não dá margem a qualquer outra discussão e, também, não promove uma melhora pra você mesmo. Se você acha que seu texto é excelente, logo, perfeito, não percebe os erros que ele possui e as falhas de argumentação que apresenta, por exemplo. É ruim pra você mesmo, pois você não conseguirá evoluir. Aos seus olhos, você pode estar escrevendo textos excelentes, mas aos olhos da sociedade, não.

      Não sei como no seu estado se dá isso, mas no Rio nós temos a mania de termos a visão mais aberta acerca da opinião alheia.

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    3. Acho que você entendeu um pouco errado o que Yuri quiz dizer com defender a classificação indicativa. Não é simplesmente banir. Ele só diz que há certos aspectos, não tudo, que na visão dele, não tem como ser defendidos. Só isso. Não é TUDO livre.

      Eu não li muito a fundo essa questão da exposição da beleza física. Já que pelo visto você tem conhecimento sobre, poderia explicar?

      Essa sua ultima reclamação, eu acho que é meio culpa dele. Aquilo foi sarcasmo. Ele de vez em quando escreve assim, mas como somos colegas de sala, e a maioria que lê também, fica meio difícil pra quem é de fora entender. Então peço desculpas.

      No mais, obrigado pelas criticas, pois elas nos ajudam a melhorar os textos e conteúdo apresentado neste blog :D

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    4. Apenas sarcasmo característico e entranhado em mim. Entendeu errado mesmo. Desculpa!

      E, na boa, não te conheço e, portanto, não te acho significativamente capaz de me dizer o que é bom ou não. Não quero ofender. Apenas acho maduramente simples.

      Mas muito obrigado pela opinião de qualquer forma.
      Pra mim, esse debate se encerra aqui.

      Grato, o rei dos ótimos textos.

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